25.07.2022
#direitoàsaúde, ACTIVATE, mostradecinema, Maputo
Género Direito à Saúde Activismo em Saúde

Primeira Sessão da Mostra de Cinema “Activa-te pelo Direito à Saúde”

A medicusmundi, o Fórum Mulher e a Aliança para a Saúde realizaram no dia 21 de Julho de 2022, na Fundação Friedrich Ebert, em Maputo, a 1ª Edição da Mostra Internacional de Cinema “Activa-te pelo Direito à Saúde”.

A medicusmundi, o Fórum Mulher e a Aliança para a Saúde realizaram no dia 21 de Julho de 2022, na Fundação Friedrich Ebert, em Maputo, a 1ª Edição da Mostra Internacional de Cinema “Activa-te pelo Direito à Saúde”, cuja sessão de abertura foi dedicada à Melhoria dos Serviços para as Mulheres Vítimas da Violência Baseada no Género (VBG). O objectivo principal da Mostra é, de um modo geral, contribuir para a educação e sensibilização da cidadania e das autoridades sobre activismo e direito à saúde.

Na 1ª Sessão, onde foram projectados dois filmes, nomeadamente o documentário “WOMAN” e o Episódio 3 sobre VBG do Seriado “ACTIVA-TE”, foi realizado também um debate sobre a melhoria dos serviços de saúde para as mulheres vítimas da VBG em Moçambique.

O evento contou com a participação de várias organizações da sociedade civil, bem como de entidades governamentais, que tiveram a oportunidade de se familiarizar, através da exibição destes dois filmes, com os desafios que as mulheres vítimas de violência encontram no acesso aos diferentes serviços.

Fizeram parte do painel de debate, a Coordenadora da Aliança para a Saúde, Violeta Bila, e a Professora Isabel Casimiro, que na sua intervenção mencionou que a vítima de violência, para além de ter que lidar com a violência que sofre, tem também que lidar com a discriminação pós-violência, que nalguns casos leva à culpabilização da vítima.

"apesar de já existirem serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência, ainda há muitos desafios"

Para Isabel Casimiro, apesar de já existirem serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência, ainda há muitos desafios, pelo que, a seu ver, o caminho para a melhoria e expansão destes serviços partiria da extensão dos CAIVs a todas as regiões do país; a formação dos profissionais de saúde em questões sobre humanização no atendimento; a consciencialização da sociedade; bem como a criação das masculinidades positivas dentro das comunidades. Por sua vez, Violeta Bila explicou que a violência baseada no género, não acontece apenas com indivíduos de renda baixa, ela não tem cara, nem estrato social, podendo afectar até mulheres com um nível de escolaridade alto, como foi o caso de Josina Machel, filha do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, que aparece dando o seu testemunho no documentário ʽʽWOMANʼʼ.

Violeta Bila apelou, mais uma vez, à sociedade em geral, a abandonar a tolerância a todas injustiças que assistem quando recorrem aos serviços de saúde e começar a exigir os seus direitos.

Refira-se que a realização desta mostra de cinema se encontra inserida na Campanha “Activa-te”, que foi lançada no passado mês de Fevereiro pela Aliança para a Saúde, para a Defesa do Direito à Saúde em Moçambique, nas áreas do Direito à Saúde, Violência Obstétrica, Melhoria dos Serviços a Mulheres Vítimas de VBG, Direitos e Deveres do Doente, Diversidades Sexuais e Masculinidades Positivas, Nutrição e Saúde Comunitária, com foco na obtenção de efeitos positivos para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde.